Sobre a segurança dos antidepressivos na gravidez

Publicado estudo no BMJ (Reefhuis J. Specific SSRISs and birth defects: bayesian analysis to interpret new data in the context of previous reports. BMJ 2015;351:h3190), que estudou  uma amostra de cerca de 28.000 mulheres que tomaram antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina  no início da gestação – 17.952 tiveram filhos com defeitos congênitos enquanto 9.857 tiveram filhos saudáveis.
Sabe-se que o primeiro trimestre da gestação é um período crítico no desenvolvimento fetal, então obviamente o melhor período para se discutir a segurança da prescrição de qualquer medicação é antes da gestação iniciar – contudo muitas vezes a gestação não é planejada (quando deve-se avaliar relação de risco-benefício de se manter, substituir ou suspender a medicação)  ou o transtorno psíquico surge durante o curso de uma gestação (quando deve-se avaliar risco-benefício de se introduzir ou não uma medicação, e qual medicação introduzir).
Passaram no teste o citalopram, escitalopram e sertralina, que não mostraram relação com aumento de casos de defeitos congênitos.
De especial importância foi o estudo ter descartado achados anteriores que sugeriam relação positiva com a sertralina pois considerando-se que cerca de 40% da amostra havia feito uso de sertralina, qualquer relação necessariamente teria sido percebida.
Já a fluoxetina e a paroxetina associaram-se a aumento da ordem de 2-3,5x. Conforme já evidenciado em pesquisas anteriores a fluoxetina mostrou associação com aumento de casos de craniossinostose e defeitos de paredes cardíacas enquanto a paroxetina associou-se com mal-formações cardíacas, anencefalia e defeitos de parede abdominal.
(Importante destacar que trata-se de um risco absoluto bastante baixo –  confirmando-se a relação causal, o risco absoluto de anencefalia aumentaria de 2 para 7/10.000 em mulheres usando paroxetina)

Publicado por

Dr. Gustavo Amadera

Médico Psiquiatra formado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo